No topo da distribuição das principais marcas de componentes
auto, os grossistas assumem também a função de as divulgar e consolidar o
mercado.
José Novais Pires - Director Geral
1 - Como caracteriza o sector grossista de peças auto em Portugal?
Em Portugal há um número exagerado de grossistas, assim como de retalhistas e de oficinas, tendo em conta a dimensão do mercado. O resultado são custos de operação demasiado elevados. Nota-se um medo de perder vendas junto com o ganhar mercado só pelos preços, que faz com que as margem sejam reduzidas. O preço é colocado por parte dos retalhistas como fator decisivo, independentemente do serviço e de outras mais valias que fazem parte da oferta de cada grossista: os retalhistas não valorizam isso na altura da negociação, mas exigem-no depois no dia-a-dia.
2 - A cadeia (fabricante, grossista, retalhista e oficina) continua a fazer sentido no negócio de peças atualmente?
Claro que sim, cada uma das funções acrescenta valor à solução para o consumidor. É necessário assegurar cobertura nacional e ao mesmo tempo proximidade aos instaladores e utilizadores. Cada função na cadeia tem características próprias. Nos casos em que um operador cobre vários níveis da cadeia, terá de manter as estruturas especializadas distintas para ter sucesso.
3 - A tendência internacional no setor de peças é a concentração de atividade. Quais as tendências futuras no setor grossista (e também retalhista) ao nível das peças em Portugal?
Os maiores grossistas serão maiores ainda. Para os de menor dimensão, será cada vez mais difícil competir e haverá tendência para muitos desaparecerem ou serem absorvidos pelos maiores. Da mesma forma, haver no caso dos retalhistas consolidação baseada em parcerias fortes que resultarão no aumento de fidelização.
4 - Para além da rápida disponibilização de peças, da qualidade das peças, da gama alargada, das plataformas B2B e dos preços competitivos, que outros fatores podem fazer diferença (atualmente) no negócio das peças?
O que faz certamente a diferença é a relação. No caso da Krautli Portugal, sentimos o resultado da aplicação quotidiana dos nossos valores, que estão no nosso ADN: comprometimento nas relações com os nossos parceiros, rigor no cumprimento das suas expectativas, dinamismo antecipando as mudanças e respondendo às necessidades dos mercados, confiança e empatia com a sensibilidade às especificidade de cada um.
5 - As devoluções de peças são neste momento um dos maiores problemas do grossista de peças? Qual o principal problema que um grossista enfrenta hoje em dia na atividade?
O peso exagerado da logística inversa nas operações, em especial com as devoluções, tem continuado a aumentar. Partilhamos estas preocupações na Comissão Especializada de Distribuidores da DPAI, na ACAP. Sentimos que há por parte de muitos retalhistas uma despreocupação e desresponsabilização, quer por falta de formação de gestão quer por outras limitações. São muitas das vezes duas ou três pessoas que abrem uma loja sem estrutura, sem capacidade de resposta para o que é essencial, despacham os assuntos de qualquer maneira. O trabalho sobra para os grossistas. A falta de solidez financeira traz mais implicações graves para os grossistas menos exigentes com o controlo do crédito, na ânsia de vender.
6 - Quais foram as mais recentes novidades da vossa atividade?
Em 2017 continuámos a investir no aumento do nosso portefólio, assim como em mais espaço de armazenagem na Krautli Porto. Em 2018 estamos a concentrar o investimento em tecnologia que nos permita trabalhar mais eficiente, como um novo serviço interno de gestão de equipamentos IT e de redes, o KrautliSystems. Está quase em fase de go live a nova versão da nossa Extranet KrautlINet e o novo website institucional. Para além disso, está a ser desenvolvida uma Intranet, a InKrautli e nos próximos meses haverá um novo CRM e novas soluções de EDI para os nossos parceiros. Na logística temos duas novas linhas duplas com capacidade para 14 postos de trabalho, que foram fundamentais para melhoramos a nossa expedição.